Porque seu futuro começa hoje

 
Wallace Sousa


No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me. João 1:43
Hoje fui abrir a Palavra do Senhor para meditar, e eis que me sai esse versículo, aparentemente sem graça, na tela do computador. Eu queria abrir o livro de Provérbios, mas esse versículo ficou martelando minha mente, e não consegui parar de ler. Até que, finalmente, entendi o que Deus estava querendo me dizer. 

Faz muitos dias que tenho orado e pedido que o Senhor me restaure a inspiração, porque eu estava bastante desanimado em escrever. Hoje, Ele respondeu minha oração. Se eu vou conseguir colocar no papel na tela o que Ele me deu, é outra história. Mas, por favor, me acompanhe.

No Dia Seguinte

Sabe, nossa vida é cheia de altos e baixos, cheia de mudanças inesperadas e imprevisíveis. É assim que é a vida, e é assim que ela é: quando estamos nos acostumando com alguma coisa, algo acontece e muda tudo. Você já ouviu aquele ditado: “quando eu pensei que sabia todas as respostas, vem a vida e muda as perguntas”. É, é desse jeito. Se você é uma pessoa normal (seja lá o que signifique ser uma pessoa “normal”), existem 2 coisas que o deixam apreensivo com seu futuro. São elas:

1. o ontem, o que passou;

2. o hoje, o que você está passando.

Todavia, eu quero lhe dar uma boa nova, uma boa notícia: amanhã, sua vida vai mudar. Não importa o que aconteceu com você no passado, não importa o que você passou ou o quanto sofreu e foi decepcionado. Não importam as cicatrizes que você carrega consigo ou as feridas não saradas. A despeito de tudo o que você possa ter passado ou enfrentado em sua vida, eu quero lhe dizer que amanhã vai ser diferente. Amanhã é um novo dia, e amanhã Deus tem um milagre para fazer em sua vida.

A segunda coisa que deixa as pessoas carregadas de ansiedade quanto ao seu futuro é o que está acontecendo hoje, o que elas estão passando agora. São situações que as deixam deprimidas, estressadas ou desanimadas, com medo do amanhã. Às vezes, são enfermidades, é o desemprego, foi uma desilusão amorosa ou um sonho frustrado. Às vezes, é o projeto tão bem planejado e executado que, do nada, dá errado e você não sabe por que… Mas eu quero lhe dizer algo: não importa o que você está passando hoje, porque amanhã Deus vai mudar sua vida! Aleluia!

Saiba que Jesus marcou o dia em que sua vida vai ser transformada, mudada radicalmente. O seu ontem pode lhe trazer lembranças amargas. O seu hoje pode lhe trazer dor e angústia. Mas, amanhã, o novo de Deus, o agir de Deus, a mudança de Deus vai alcançar você e transformar sua vida. Creia. 

A História do Dilúvio - Noé Entra na Arca

 Noé entra na arca
Quando analisamos a história de Noé, e a entrada dele e de sua família na arca, por ocasião do dilúvio que Deus estava por trazer sobre a terra, acabamos por perceber algumas variações importantes no fluxo do texto.

O Gênesis traz uma descrição precisa e detalhada da ordem em que Noé, sua esposa, seus filhos e as mulheres de seus filhos entram na arca.

"Noé entrou na arca, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio." Gênesis 7:7
"E no mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos." Gênesis 7:13
Depois que as águas do dilúvio secaram sobre a terra, Deus ordena que eles saiam da arca:
"Então falou Deus a Noé dizendo: Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos." Gênesis 8:15-16
E quando finalmente Noé e sua família saem da arca, a Torah novamente registra em detalhes como este evento ocorre:
"Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele." Gênesis 8:18
Dentro desta análise, é natural nos questionarmos dos motivos que levaram ao Gênesis fazer um registro com tantos detalhes, informando até mesmo a ordem da entrada e saída da arca. Neste relato, nós somos informados de quem entrou primeiro, quem saiu por último, realmente é algo curioso.
Levando em conta que cada palavra do texto bíblico foi colocada para o nosso ensinamento, é de se esperar que haja, nesta passagem, camadas de interpretação com mensagens valiosas a acrescentar ao nosso conhecimento.

Pacto de Sangue Entre Deus e Abraão - Aliança Entre as Metades

 pacto de sangue de Abraão e Deus
Deus, após ter ordenado que Abraão deixasse Ur dos Caldeus para ir à terra de Canaã, faz duas promessas dramáticas ao pai da nação judaica.

O pai da fé reage a cada uma delas de uma forma bem diferente da outra.

Primeiro Deus diz:

"Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência." Gênesis 15:5
Confrontado com essa revelação, Abraão responde com uma inquestionável expressão de fé, "E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça." Gênesis 15:6.
E Deus continua com suas promessas:
"Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la." Gênesis 15:7
Mas a esta promessa, Abraão reage com uma objeção, "E disse ele: Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la?" Gênesis 15:8. Em resposta a objeção de Abraão, Deus manda que o patriarca sacrifique uma série de animais, dividindo alguns ao meio, e pondo cada metade em sentido oposto à outra.
Deus faz cair sobre Abraão um sono profundo, "Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos" Gênesis 15:13.
A presença de Deus passa então, por entre os animais cortados ao meio, e a aliança entre Deus e Abraão é selada em um episódio que ficou conhecido como ברית בין הבתרים B'rit Bein Habetarim, "Aliança entre os Pedaços", "um acordo que liga duas partes".

A palavra hebraica para aliança é b'rit בְּרִית, e de fato era selada pelo derramamento de sangue, e pelo andar entre os dois pedaços de carne. Uma b'rit não podia ser quebrada, pois constituía uma promessa solene de amor e proteção de um pelo outro, "tudo o que é meu é então seu".
Muitos estudiosos do Antigo Testamento, já se propuseram a tentar responder os possíveis motivos pela objeção de Abraão à segunda revelação recebida, de que herdaria a terra prometida, algo que aparentemente destoa do texto anterior, já que ele creu que teria filhos em numerosa quantidade.
Porque Abraão questiona Deus sobre a herança da terra? O mesmo Deus que é capaz de dar filhos a um casal estéril, é também poderoso para assegurar a posse da terra aos seus descendentes. Sem dúvida Abraão acreditava no poder de Deus, por isso esta pergunta "como saberei que hei de herdá-la?", parece um tanto estranha.
Por outro lado, a resposta de Deus à dúvida de Abraão, também parece estranha, pois anuncia que sua descendência padeceria escrava no Egito. Como a revelação da futura escravidão dos filhos de Abraão responderia a sua dúvida sobre a herança da terra prometida?
Você pode imaginar isto? Deus falou a Abraão, para ir para a terra de Canaã, e Ele o promete que herdaria a terra. Mas Deus o revela que primeiro os seus filhos teriam que passar pela escravidão de 400 anos. Porque isso se daria desta forma?

Adão e Eva e as Roupas da Salvação

 adão e eva com folhas de figueira
Logo após o pecado do homem no Éden, Adão e Eva se encontram expostos, vulneráveis, humilhados e nus.

“Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus;” Gênesis 3:7

E eles tentam cobrir-se, pegam folhas de figueira e fazem uma cobertura primitiva.

“e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” Gênesis 3:7

A diferença é dramática. Adão e Eva encontram algumas folhas finas de figueira e fazem um tipo muito fraco e primitivo de cobertura, para esconder a sua nudez, enquanto que Deus providencia vestimentas “ideais”, feitas de couro, pele de animais, que são capazes de protegê-los do frio e das intempéries.
Enquanto que o homem buscava apenas uma forma de esconder o seu estado nu, Deus o fornece roupas decentes. Enquanto que o homem só não queria estar nu em público, Deus age de forma gentil.
Apesar da desobediência e da alienação resultante do pecado, Deus age com ternura e cuidado para com o primeiro casal humano. Deus os veste, os protege, Ele cuida do homem, ainda que pecador.
Hoje há todo um mundo de vestimentas e roupas, mas tudo começou com folhas de figueira. Foi por causa do comer do fruto proibido que o homem e a mulher tomaram consciência da sua nudez. Mas qual seria a natureza dessa nudez? Física ou espiritual?

Era de se esperar que o pecado trouxesse consequências espirituais, entretanto, vemos que adão e Eva respondem imediatamente no nível físico. Eles tentam cobrir seus corpos que tinham se tornados vulneráveis; eles ficam envergonhados e humilhados.
Mas e sobre as suas almas? Eles buscaram cobertura, vestimentas espirituais? Com certeza suas almas haviam sido impactadas, feridas e manchadas pelo pecado. Qual foi a reação deles?
Falando sobre esse assunto, o rabino Soloveitchik cita o seguinte texto:
“Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias.” Isaías 61:10

Na’amah – Noema – A Esposa de Noé?

 noé e os animais da arca
Em uma geração decaída moralmente, um único homem brilha. Noé é justo e perfeito na sua geração.

O Gênesis não dá muitos detalhes sobre Noé e sua família, mas nos informa que ele é pai de três filhos, Sem, Cão e Jafé.

Porém nada é falado em relação à sua esposa, a mulher que acompanha este homem ilustre.

“Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé.” Gênesis 6:9-10
Quando Noé é informado do iminente desastre que iria terminar com aquela geração violenta e sanguinária, ele também fica sabendo que sua família seria poupada.
“Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo." Gênesis 6:18

A Esposa de Noé

A sintaxe deste verso é muito curioso, ao invés de ordenar “tu e tua esposa, teus filhos e as esposas deles”, Deus inverte a ordem de entrada na arca. Rashi entendeu que relações conjugais eram proibidas na arca; homens e mulheres foram separados durante o dilúvio.
Também é estranho o fato de que Noé é instruído a se separar de sua esposa na arca, e nada é relatado sobre esta mulher na Torá. Esta lacuna é preenchida pela Tradição Oral, e o nome dela nos traz insights muito importantes para a compreensão desta passagem.
A esposa de Noé é identificada como sendo Na’amah, “Noema”, filha de Lameque e Zilá, descendentes de Caim. Não quero aqui fazer uma afirmação falsa, e dizer que esta identificação da esposa de Noé seria algo com cem por cento de certeza, lógico que não é.
A Tradição Oral não está presente no texto bíblico, mas é constituída de histórias que foram passadas oralmente de pai pra filho, e chegou até nós, nos dias de hoje. Claro que alguém pode discordar, entretanto, quanto mais mergulhamos na história de Noé, e na descendência de Caim, mais evidente fica que a esposa de Noé só poderia ser Noema, citada no livro de Gênesis.
“E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.” Gênesis 4:22

Noé, Um Corvo, Uma Pomba, Yonah, Jonas?

 noé solta a pomba
“Profeta!” Eu disse, “Coisa do mal!” - "O profeta parou e tentou entender se eu falava do maligno ou se falava de um corvo.”

- Retirado do poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe, 29 de Janeiro de 1845.

Em meio à destruição do dilúvio, Noé flutua em sua arca. As águas pouco a pouco vão se acalmando, e um estranho silêncio substitui o mortal ruído da tempestade. Agora, o Gênesis declara que Noé e toda a criação são lembrados por Deus.
“E lembrou-se Deus[Elohym] de Noé, e de todos os seres viventes, e de todo o gado que estavam com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e aquietaram-se as águas.” Gênesis 8:1
O nome usado para Deus nesta passagem é אֱלֹהִים Elohym no texto em hebraico. Aqui, a conotação desse nome é “Deus de Justiça”. Podemos até pensar que um Deus furioso puniu a humanidade, trazendo quase que a extinção da espécie humana, e então, um Deus gentil e amoroso, muda seu pensamento e lembra-se de Noé e das almas que com ele estavam na arca.

Noé Solta Um Corvo

Entretanto, a Torá está nos informando que agora que o julgamento daquela geração má terminou, Elohym, este mesmo aspecto de julgamento, volta a sua atenção para Noé. E após quarenta dias, Noach abre uma janela e solta um corvo.
“E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito. E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.” Gênesis 8:6-7
O corvo tem uma reputação negativa, que é associada às forças demoníacas, tanto na literatura rabínica, quanto na literatura ocidental, o que pode ser visto nas palavras memoráveis de Edgar Allan Poe (1809 – 1849), autor, poeta, editor e crítico literário americano:
““Profeta!” Eu disse, “Coisa do mal!” O profeta parou e tentou entender se eu falava do maligno ou se falava de um corvo.”
A reputação negativa em relação ao corvo parece vir já desde a época do Gênesis, bem no início da civilização humana. Mas porque teria esse pássaro tamanha má fama?
O livro Be’er Mayim Hayim aponta que a palavra עורב ´orev "corvo" em hebraico é escrita com as letras ע ayin ר resh ב bet , as mesmas letras que, se dispostas de forma reversa, se escreve ברע b’ra "Mal".
noé solta um corvo 
Noé Solta Um Corvo - o Símbolo do Mal.


Porque Deus Criou o Homem?

 lavrar e guardar
A primeira parte do livro do Gênesis – Bereishit – é provavelmente a mais desafiadora e difícil de entender.

Seus versos descrevem o desenrolar da criação de um universo permeado por mistérios.

E ainda, embora a sua linguagem seja difícil, percebemos que estas palavras contém a chave para entendermos a fundação de toda a existência.

Talvez o maior mistério de todos, a pergunta que tem ocupado a mente humana e sua imaginação desde os tempos remotos, encontrada no princípio da sociedade humana, é sem dúvida o tema que abordamos neste estudo:
Qual o propósito da nossa existência? Porque Deus criou o homem?
Esse é o dilema que vem perseguindo o homem desde o dia da sua criação. E a Torá fala muito brevemente sobre esse assunto, e sua curta afirmação pode passar facilmente despercebida.
“E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.” Gênesis 2:15
Esta afirmação não é tão excitante quanto poder conversar com uma serpente falante, e nem tão atraente quanto a visão do fruto proibido, ainda assim carrega o sentido de todas as ações humanas, com apenas duas simples palavras: Lavrar (trabalhar) e guardar.

A Tentação e A Natureza Humana - Eva, Caim e Sete

 tentação, como resistir
O Gênesis representou a quebra dos mitos primitivos, e substituiu o caos do paganismo com a luz da fé em um único Deus, cuja vontade é suprema como temos visto.

Os primeiros capítulos criaram uma revolução no pensamento religioso da época e, eventualmente, causaram um colapso nas ideologias antigas com sua substituição pela crença monoteísta.

Mas em adição a essa revolução em nossos conceitos sobre Deus, esses capítulos também nos oferecem um profundo olhar para dentro do significado da natureza do ser humano.
As figuras legendárias que aqui aparecem, ajudaram a moldar o nosso pensamento sobre nós mesmos: Adão – homem – criatura formada da terra, mas criada à imagem do Todo Poderoso; Eva – a mãe de todos nós; Caim – o primeiro ser humano, “criado” por seres humanos é o primeiro assassino; Abel – a primeira vítima, morto por seu próprio irmão.
O que a Torá nos ensina sobre a natureza humana, nesse texto inicial da bíblia? Em sua definição, os humanos são imperfeitos, possuem diversas fraquezas. E a primeira coisa que fazem é quebrar regras, demonstrando que possuem livre arbítrio, que podem escolher obedecer ou desobedecer a Deus.
Mas isto tem consequências. Se por um lado, a liberdade é o que nos faz humanos, por outro lado o abuso da liberdade pode nos lançar fora do Paraíso.

O Significado do Arco-Íris - Noé e o Dilúvio

 o arco-íris aponta para o céu
A maldade da raça humana fez com que Deus tomasse uma medida drástica, destruindo tudo em um grande dilúvio e começando tudo novamente.

E ao invés de fazer uma criatura nova a partir de materiais inertes, como fez com Adão, Deus salvaria uma família, e dela repopularia o mundo.
“E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, Desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.” Gênesis 6:7
E como Deus escolheria uma família que valeria a pena ser poupada, em meio a tanta corrupção? O Gênesis afirma, sem problemas, que Noé alcançou o favor do Senhor:
“Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.” Gênesis 6:8
E logo no próximo verso, o motivo desta escolha é explicado:
“Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.” Gênesis 6:9
A narrativa bíblica é bem diferente das histórias encontradas na literatura primitiva do oriente médio. Naqueles contos míticos, um homem também é salvo quando os deuses decidem exterminar a raça humana, mas nenhum motivo é apresentado. Não há nenhuma condição moral envolvida.
Apenas é dito que um dos deuses resolve salvar o seu humano favorito. E também não há nenhuma causa moral para se trazer o dilúvio. Em um épico acadiano, nós lemos que a razão para o dilúvio foi que o “deus enlil” se sentiu incomodado com o barulho que os seres humanos faziam na terra.
Mas o Gênesis nos informa que o mundo foi destruído por causa da corrupção moral, desrespeito às leis básicas de uma sociedade e por causa da violência. E Noé foi salvo porque “tenho visto que és justo diante de mim nesta geração” Gênesis 7:1.

Reconstruir a vida

 
Wilma Rejane
Neemias foi contemporâneo de Esdras. Ambos viveram em uma fase difícil da história de Israel, quando o povo havia sido levado cativo para Babilônia e os que ficaram na cidade de Jerusalém, conviviam com um cenário desastroso. A cidade estava destruída. Casas e muros derrubados,  construções em pedras despedaçadas pelo contato com o fogo e fúria dos inimigos.


“Os sobreviventes, lá na província que escaparam do cativeiro estão em grande dificuldade e vergonha, o muro de Jerusalém é dividido, e as suas portas foram destruídas pelo fogo.” Ne 1:3


Copeiro do rei Artaxexes, considerado funcionário de confiança da corte, Neemias servia na capital de Susã, a 150 milhas do Rio Tigre, que atualmente é o Irã. Ele adquiriu permissão e favores do rei para voltar a Jerusalém e reconstruir a cidade e suas fortificações. O ano é aproximadamente 432 a. C. O que aprendemos com Neemias? Essa é mais uma narrativa Bíblica fortalecedora, restauradora!  Neemias era um homem de fé e temor a Deus, morando em um luxuoso palácio, nada lhe faltava, mas seu coração desfalecia pelos compatriotas  judeus. Ele deixa o palácio e segue em missão para Jerusalém. Um homem que revela a grandeza da intercessão, da oração humilde, sincera e cheia de amor ao próximo. Além disso, a capacidade de discernimento de Neemias é algo que devemos buscar a fim de não cedermos às ciladas do inimigo.


“À noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém .
Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser vergonha.” Neemias 2:12 e 17.

Um Coração de Carne

  
Por: Fernando Heitor de Siqueira

"E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus." Ezequiel 11:19-20. 
A Salvação é graças ao Senhor do início ao fim! A Palavra da promessa não deixa dúvidas acerca da manifestação de Deus para salvar o homem de seus pecados. Quando Deus olhou para a humanidade e a sua corrupção interior, comparou o coração dos homens à pedra. Não há nada de sensível em um pedaço de pedra: ela é inerte, sem expressão, sem desejos e permanece imóvel a menos que algo exterior provoque nela algum movimento. 
Deus descreve o homem que ainda não se converteu como possuidor de um coração de pedra, porque é exatamente nesse estado em que ele se encontra: inerte diante do bem, insensível para a vontade de Deus, sem desejo de receber a Graça e o Conhecimento de Nosso Senhor, incapaz de mover-se em direção Daquele que pode mudar sua condição. 
Todos nós possuíamos um coração como esse, duro como pedra. Contudo, algo, em algum momento, mudou em nós. Assim como a pedra somente pode se mover se algum fator externo a impulsionar, algo também exterior a nós nos impulsionou para frente, agitou e moveu em nosso duro coração com força, desfazendo a insensibilidade e frieza do nosso interior. Sabemos que é impossível que a pedra se transforme em carne por sua própria natureza, pois pedra sempre será pedra. Mas esse agente transformador tem o poder de mudar o coração do homem, fazendo-o Nova Criatura: "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" II Coríntios 5:17. 
Essa é exatamente a operação que o Espírito Santo faz dentro de uma pessoa chamada à Salvação. Sendo o próprio Deus, Ele retira o coração de pedra pela pregação do evangelho e coloca no lugar um coração de carne, capaz de sensibilizar-se diante do pecado, desejando ardentemente ser livre de sua escravidão e corrupção. Então, através de tal sentimento interior, produzido pelo novo coração que recebemos do Pai, Ele nos apresenta a Cristo: "Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão como quem pranteia por seu filho único; e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito" Zacarias 12:10. 
Ao nos fazer olhar para Cristo, torna-nos também inclinados a obedecê-Lo, removendo em nós os desejos carnais (da velha natureza) e produzindo novos sonhos, planos e projetos de vida, onde Jesus é sempre o Cabeça e o Inspirador da nova vontade renovada pela Graça: "Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado, para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" Romanos 8:2-4. 
Desta forma, aceitar a Cristo como Senhor provém tanto de Deus quanto todo o restante da Salvação. Ninguém se dobraria a Ele se Ele não dobrasse a vontade do homem, mudando seu coração. Como em Gênesis, tanto o Pai, Filho e Espírito Santo estiveram atuantes na criação do homem (leia Gênesis 1:26), assim também na salvação os três se fazem presentes e atuantes: O Pai conduzindo-nos a Cristo, operando pelo Espírito, e o Filho salvando pela sua morte os que estavam com o endurecimento da morte em seus corações. 
"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável" Salmos 51:10.

fonte:http://www.webservos.com.br/gospel/estudos/estudos_show.asp?id=10895

A Influência de Sodoma na Vida de Ló

 Ló em Sodoma
Uma das passagens mais estranhas de toda Torá é relatada imediatamente antes da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra.

Dois dos três anjos que anteriormente visitaram Abraão, agora chegam à porta de Ló em Sodoma.

E Ló os recebe com hospitalidade e os oferece proteção, convidando-os a entrarem em sua casa.
E não demora muito para que os maus e grandemente pecadores habitantes de Sodoma cercassem a casa de Ló, demandando que os seus visitantes fossem entregues nas mãos da multidão, para que fossem por eles abusados sexualmente.
“E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros” Gênesis 19:4
Buscando proteger seus hóspedes do iminente perigo que os cercava, Ló tenta negociar com os habitantes de Sodoma, oferecendo suas filhas em lugar dos dois varões que com ele estavam.
“Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado” Gênesis 19:8
Os sodomitas recusaram a oferta e se preparavam para invadir a casa, quando milagrosamente os anjos os ferem com cegueira, e dizem para Ló que para proteção de sua família e dele mesmo, eles teriam que deixar a cidade.

A Provação de Abraão e Isaque em Moriá - Akeida

abraão vê o monte moriá de longe
Dois eventos dramáticos marcam o fim de uma porção do Gênesis, também conhecida como Vayeira: A destruição de Sodoma e Gomorra e a Akeida (o sacrifício de Yitzchak, “Isaque”).

“E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.

E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” Gênesis 22:1-2.
“Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera” Gênesis 22:3.
Abraão havia reagido à destruição das cidades da campina do Jordão de uma forma muito peculiar, ele não se cala, argumenta com seu Criador, e saiu em defesa dos moradores das cidades da planície fértil.
Porém, quando confrontado com o mandamento para sacrificar seu próprio filho, Abraão fica em silêncio e obedece. Porque Abraão teria essa reação silenciosa ao ser desafiado a sacrificar seu único e inocente filho? Onde estava o Abraão que se recusava a aceitar o mundo como ele era – o homem que estava disposto a mudar o mundo por meio da fé?

A Luta de Abraão

Incomodados com o aparente silêncio de Abraão quando confrontado com a Akeida (a ordem para sacrificar Isaque), os estudiosos da Torá, a da Midrash (a tradição oral), tentaram, através dos séculos, preencher algumas lacunas deixadas vazias pelo texto bíblico.
Eles afirmam que ao menos internamente Abraão não esteve totalmente em silêncio. Estes estudiosos “pintam um quadro” de um Abraão terrivelmente transtornado pela tarefa que se apresentava diante dele.
Ele não é apenas um pai movido além dos limites da compaixão e amor por seu filho, mas também o patriarca que se cumprisse a ordem divina, ficaria incapaz de se tornar o pai de uma grande nação, que seria criada por meio do seu filho Isaque.
A Midrash (a tradição oral com histórias simbólicas semelhantes a parábolas) conta uma história detalhada em que satan teria aparecido a Abraão, na forma de um homem idoso. E durante a toda a longa jornada até o Monte Moriá, este “idoso” tenta dissuadir o pai da fé, para não cumprir a vontade divina:
“- Onde você está indo homem? Você perdeu o juízo? Foi te dado um filho após cem anos e você vai matá-lo? Amanhã Deus vai te acusar de homicídio e de ter derramado o sangue do seu próprio filho”!

Quando satan vê que não conseguiu deter Abraão do seu caminho, ele cria obstáculos físicos para bloquear a jornada do patriarca de Israel. Mas Abraão está determinado a continuar até o fim, para fazer a vontade de Deus.
O característico método da literatura midrástica ilustra o profundo conflito interno que deveria estar acontecendo dentro da alma de Abraão. O “homem idoso”, que aparece a Abraão na história acima, é símbolo da luta de Abraão com ele mesmo, e com suas dúvidas. Mas nenhuma delas é capaz de tirar o patriarca de seu caminho.
O rabino Rashi, em seus estudos, afirma que o mandamento divino reflete uma série de respostas de Abraão, e que não foram registradas. Deus disse, “Toma agora o teu filho, o teu único filho, a quem amas, Isaque” Gênesis 22:2.
Segundo Rashi, a cada estágio deste mandamento Abraão tinha um argumento: Quando Deus disse, “Toma agora o teu filho”, Abraão teria respondido “Eu tenho dois filhos”. Quando Deus disse, “o teu único filho”, Abraão teria dito “cada um deles (Isaque e Ismael) é filho único de suas mães”.
Quando Deus disse , “a quem amas”, Abraão respondeu “Eu amo os meus dois filhos”. Só então Deus teria dito especificamente, “Isaque”.
Mesmo que a Midrash, o rabino Rashi e outros comentaristas da Torá “pintem um quadro” complexo da luta de Abraão consigo mesmo, fundamentalmente o nosso problema continua.
A Torá não se esquivou de mostrar com detalhes as outras ocasiões em que Abraão luta com seu destino e com o do mundo em que vivia, chegando ao ponto de argumentar com seu próprio Criador em defesa de Sodoma e Gomorra.
Porque então Abraão ficaria nesse silêncio “gritante” quando em respeito à Akeida, a ordem para sacrificar o seu único filho, o que estaria acontecendo na vida de Abraão neste momento?

José Se Revela aos Seus Irmãos - Em Busca do Arrependimento

 josé se revela aos seus irmãos
O drama de José e seus irmãos já toma oito capítulos no Gênesis, e agora vai chegando ao seu clímax.
Judá e José estão face a face, Benjamin, o mais novo, é acusado de furto e pode ser condenado a uma vida inteira de escravidão.
Judá faz um pedido emocionado pela libertação do filho caçula de seu pai. O copo de prata foi achado dentro do saco de Benjamin.
Judá não contesta os fatos, mas ele implora pela misericórdia do “príncipe Egípcio”, cuja identidade ele ainda não conhece, e ele o pede para que considerasse o mal que a prisão de Benjamin faria ao seu pai, Jacó.
De fato Jacó já tinha perdido o seu filho amado, a perda de mais um, causaria um choque que o mataria.
“Porque teu servo se deu por fiador por este moço para com meu pai, dizendo: Se eu o não tornar para ti, serei culpado para com meu pai por todos os dias. Agora, pois, fique teu servo em lugar deste moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com os seus irmãos.

Porque, como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai”. Gênesis 44:32-34
Estas são as palavras que finalmente quebram o coração de José. Tomado de emoção, ele manda que seus subordinados Egípcios saiam de sua presença, então se volta para seus irmãos e revela a sua verdadeira identidade:
“Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei sair daqui a todo o homem; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. E levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam, e a casa de Faraó o ouviu.

E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face”. Gênesis 45:1-3

O silêncio dos irmãos é “gritante”! Eles estão aterrorizados, o príncipe Egípcio é o seu irmão, o garoto que, anos antes, eles tinham vendido para ser escravo. E não podem dizer nem fazer nada, ficaram paralisados por uma combinação de choque e culpa.
Quebrando o "gelo" do silêncio, José continuou. Ele não tinha guardado mágoa ou rancor de seus irmãos, nem os considerava culpados. Não há raiva em suas palavras, e José, inesperadamente, conforta seus irmãos, e os perdoa. Suas palavras são cheias de graça, paz e perdão:
“E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegai-vos a mim. E chegaram-se; então disse ele: Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.

Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento.

Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito”. Gênesis 45:4-8
Assim, esta história se aproximava de seu fim. O constrangimento que se iniciou com “Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiaram-no, e não podiam falar com ele pacificamente”. Gênesis 37:4, terminava ali.

José Reencontra Seus Irmãos mas Eles Não o Reconhecem

 o reencontro de José do Egito e seus irmãos
José é agora Governador do Egito, e a fome que ele previu chegou com toda a sua força, se estendendo para além do Egito até a terra de Canaã:
"E começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão".

E tendo toda a terra do Egito fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser, fazei. Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, e vendeu aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito".
"E de todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras". Gênesis 41:54-57
Procurando por alimento, os irmãos de José viajam ao Egito. E eles chegam ao palácio do homem que está encarregado de fazer a distribuição dos grãos.
“José, pois, era o governador daquela terra; ele vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José chegaram e inclinaram-se a ele, com o rosto em terra.

E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com eles, e falou-lhes asperamente, e disse-lhes: De onde vindes? E eles disseram: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento. José, pois, conheceu os seus irmãos; mas eles não o conheceram”. Gênesis 42:6-8
José estava bem diferente de quando era mais novo. Há algo muito familiar nesta cena. Estamos de volta ao “mundo” das simulações e das trocas de identidades, que definiram a primeira parte da história de Jacó e seus filhos.
Aqui nós encontramos aquilo que Robert Bernard Alter (professor de hebraico e de literatura comparativa da Universidade da Califórnia), chama de “cena-modelo”, um drama vivido várias vezes com algumas variações. Estas cenas são particularmente muito frequentes no livro de Gênesis.

Não há uma regra comum para interpretarmos uma cena-modelo. Um bom exemplo seria “um-homem-encontra-uma-mulher-próximo-a-um-poço”, um encontro que ocorre três vezes nos cinco primeiros livros de Moisés:
  • 1. Com o servo de Abraão e Rebeca:
    “E antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía com o seu cântaro sobre o seu ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse: Peço-te, dá-me de beber” Gênesis 24:45;
  • 2. Com Jacó e Raquel:
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