Daniel Siemens
Os cenários dos tempos finais normalmente
são pintados de forma sombria: guerra nuclear, crise da economia
mundial, catástrofes da natureza, epidemias, destruição do meio
ambiente, manipulações genéticas... Além disso tudo, os cristãos ainda
têm medo do reino do anticristo. Tais prognósticos aumentam o
pessimismo, especialmente no limiar do terceiro milênio, o que parece
aumentar os temores. Também entre os cristãos, principalmente no mundo
ocidental, pessimismo e resignação se alastram. Onde está a bendita
esperança da cristandade? Onde está a certeza inabalável de um futuro
esplêndido e glorioso? Perdemos o otimismo. Será que isso está
acontecendo porque quase não esperamos mais concretamente pelo
acontecimento mais significativo na cronologia da Igreja? Os primeiros
cristãos eram inspirados e impulsionados por essa espera. Estamos
falando do "arrebatamento" de todas as pessoas que crêem em Jesus
Cristo, acontecimento quase totalmente esquecido por grandes parcelas da
cristandade. Parece que a teologia moderna de crítica à Bíblia fez seu
trabalho bem feito. Não é de admirar que as doutrinas "exóticas" da
Bíblia quase não sejam mencionadas, pois até verdades tão fundamentais
como o nascimento virginal e a ressurreição física de Jesus são postas
em dúvida e rejeitadas como antiquadas. Apesar disso, essa doutrina
"exótica" existe na dogmática de Paulo e Pedro, os dois teólogos mais
importantes do cristianismo. Pedro certamente previu as dúvidas e os
pensamentos modernos dos críticos da Bíblia quando escreveu aos
crentes: "tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias,
virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias
paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que
os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da
criação" (2 Pe 3.3-4). Pedro deu uma resposta dupla. Primeiro: "Há,
todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o
Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (v.8). Segundo: "Não
retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo
contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum
pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (v.9).
A doutrina do "arrebatamento" é tão sensacional e incomum que Paulo a descreve com a palavra "mistério".