A Fornicação: A Defesa do Sexo Endeusado




por Jerry R. Earnhart

Os desejos sexuais não devem ser objeto de ódio ou de vergonha.  Podemos, e devemos, celebrá-los como um dom precioso.  Deus é o autor deles (Gênesis 1:27; 2:22-24) e os declarou bons (Gênesis 1:31).  O nosso Criador projetou o sexo não apenas para aumento do prazer físico e do bem-estar dos cônjuges no casamento, mas também para facilitar a expressão de seu carinhoso compromisso.  Se o sexo, feito na intimidade do casamento, pode ser puro e santo (veja Hebreus 13:4; Romanos 13:1), não devemos imaginar que o nosso desenvolvimento espiritual seja mais bem atendido se negarmos a importância dos atos físicos do amor.  O apóstolo Paulo admoesta sem rodeios aos casais:  "Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência" (1 Coríntios 7:5).
Lamentavelmente, todas as boas dádivas de Deus para o homem, dentre as quais o sexo, foram tristemente corrompidas.  As intimidades sexuais, tão proveitosas dentro da estrutura protetora do amor e do compromisso do casamento, podem voltar-se contra o homem de modo destrutivo, quando este permite que elas ultrapassem seus verdadeiros limites.  O Espírito Santo tem o hábito de falar desse "sexo solto" como "fornicação".  O termo em geral identifica toda perversão da capacidade sexual humana em intercurso ilícito, de natureza heterossexual, homossexual ou bestial. O adultério, o sexo antes do casamento, o incesto, a sodomia, o lesbianismo, etc. não passam de formas específicas de fornicação.
Ao contrário da opinião equivocada de alguns, a fornicação não tém a distinção de ser o primeiro nem o maior pecado.  O orgulho maligno chega muito mais perto dessa desonra.  No entanto, o preço que a fornicação tem exigido do homem, no que diz respeito à solidão, à infelicidade e à angústia, é tão desanimador que mal podemos imaginar suas conseqüências.
Quem pode descrever com a devida propriedade a degradação terrivelmente dolorosa da concubina levita que morreu ao segurar à porta do hóspede de seu marido, em Gibeá, após ter sido estuprada e abusada pelos homens da cidade de noite até a manhã (Juízes 19)?  Quem pode contar os lares desintegrados e os filhos abandonados, ou medir a dor e as cicatrizes profundas que brotam desses "casos" impensados em nossos dias?  E quem pode imaginar completamente os efeitos devastadores do abuso incestuoso de crianças em nossos dias?  A culpa e a autodiscriminação impiedosamente dominam a mente e destroem a paz e a alegria.  A angústia do que comete o erro e da vítima bradam lamentavelmente.
Paulo não apenas considera a fornicação um daqueles atos "manifestos" da carne, mas também o põe no topo da lista "carnal" de Gálatas 5:19-21 e raramente escreve a seus irmãos de várias regiões do mundo sem alguma admoestação especial para que a evitem (veja Romanos 13:13; Efésios 3:3-4; Colossenses 3:5; 1 Tessalonicenses 4:3).  Ele insistiu com os coríntios para que "fugissem da fornicação", explicando que "qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo" (1 Coríntios 6:18).  As intimidades sexuais fora do compromisso de amor do casamento contradizem ao propósito para o qual o corpo foi criado.  Por serem contra a natureza, não podem deixar de ter conseqüências prejudiciais sobre o homem em geral.
Na raiz desse mau uso destruidor do sexo reside a alienação do homem em relação a Deus.  Desesperadamente só, o homem busca compensar a sua perda numa busca desesperada por amor e aceitação.  O desejo sexual, agora desprovido de amor puro, torna-se uma cobiça impessoal, egoísta.  Assim, aquilo que Deus determinou ser um servo a manifestar o amor, torna-se um tirano que o suprime.  E o corpo padece da desonra enquanto isso se dá (Romanos 1:24).  Mas tenha esperança, meu amigo, há saída para os fornicadores!
A vitória sobre a fornicação (mesmo a do tipo homossexual) ocorre sobretudo no coração e na mente.  Aí se deve lutar e vencer.  A luta começa com uma profunda aceitação da responsabilidade pessoal (veja Romanos 1:21-26; 1 Coríntios 5), com um arrependimento genuíno (2 Coríntios 7:9) e com uma determinação sincera de deixar o sexo pervertido e todas as formas de perversidade e se agarrar em Deus (Atos 2:38; 17:30).
Somente com a plena reconciliação com Deus, podemos ter esperança de banir a solidão da alienação e quebrar o encanto do sexo endeusado (2 Coríntios 5:20; 1 Coríntios 6:9-11).  Com o amor e a reverência cada vez maiores por Deus, devemos lançar-nos completamente sobre a graça de Deus.  Paulo afirma:  "Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne" (Gálatas 5:16).  Não há promessa de triunfo sobre a fornicação se for esse exclusivamente o nosso objetivo.  Essa vitória é obtida no coração disposto a realizar toda a vontade de Deus.  Aí aprendemos o amor que recebe o prazer sexual com gratidão, mas não o venera.

fonte: http://www.estudosdabiblia.net/a11_3.htm

As Obras da Carne ­ O Inimigo Interior





por Paul Earnhart

O tempo parece ser propício para o bom sentimento religioso.  Há um espírito de alegria, a mensagem é animadora.  E contra isso em si não temos queixa.  O evangelho é uma mensagem bem positiva.  É uma mensagem de salvação e de redenção ­ uma palavra de graça e de alegria.  Mas não é uma graça barata, nem uma alegria fácil.  E é exatamente aqui que me encontro ansioso com o espírito religioso de nossos dias ­ um espírito que embrulha e vende o "evangelho" como se faz com óleo de cobra, um remédio de charlatão de rápida ação, que cura tudo e nada exige.  Como certa vez observou C. S. Lewis, o evangelho no final das contas é bastante confortador, mas não se inicia assim.  A palavra de Cristo no começo nos desfaz em pedaços num desmascarar doloroso de nossos pecados (veja Romanos 13), depois com amor e cuidado nos torna inteiros de novo (Salmos 51:8).  O evangelho é livre, mas não é fácil.  Não há nascimento sem dores de parto, não há liberdade sem disciplina, não há vida sem morte, não há "sim" sem "não".  É nesse espírito que se escolheu o tema desta edição da revista.  Não para levantar um eterno "Não", mas para reconhecer que a vida em Cristo tem inimigos mortais que têm que ser resistidos sem compromisso.
O que Paulo quer dizer com a "carne"?  Será que os homens receberam duas naturezas na criação ­ uma má e outra boa?  Ou será que pelo pecado de Adão entrou no homem alguma perversidade profundamente arraigada?  A resposta a essas duas perguntas é um inequívoco "não".  Quando Deus criou o homem, este foi declarado completamente "bom" (Gênesis 1:31).  Todo homem que pecou desde Adão até os nossos dias não o fez por necessidade, mas por livre escolha.  Os homens pecam porque querem (Eclesiastes7:29).  Não somos espirituais nem carnais por natureza, mas somos capazes das duas coisas, e, como seres humanos, temos de escolher entre esses dois caminhos e nos responsabilizar por nossa escolha.
Embora Paulo às vezes use "carne" (sarx) em referência ao corpo físico (Romanos 2:28) ou ao aspecto humano (Romanos 3:20), a palavra significa muito mais do que isso em Gálatas 5:16-24.  O corpo pode tornar-se um instrumento da glória de Deus (Romanos 12:1; 1 Coríntios 6:20), mas a "carne" não (Romanos 8:5-8).  O corpo pode ser redimido e transformado (Romaos 8:23; Filipenses 3:21), mas a "carne" deve morrer (Gálatas 5:24).
A "carne" que milita contra o Espírito não é a mente ou o intelecto, pois a mente, como o corpo, pode ser transformada e renovada, treinada para servir aos propósitos divinos (Romanos 12:2).
Essa "carne" não é nem a mente nem o corpo em si mesmos, mas uma atitude pela qual o homem opta e que o põe contra Deus.  Na "mente carnal", a vontade do homem torna-se suprema.  Seus desejos têm que ser atendidos acima de todas as coisas.  Estes podem ser as concupiscências da carne ou os desejos da mente (Efésios 2:3), mas serão satisfeitos a qualquer custo.  É por isso que "as obras da carne", contra as quais Paulo adverte, abrangem mais que os apetites do corpo.  Na realidade, se possível, estes são as menores das enfermidades espirituais.  É na mente que escolhemos servir a nós mesmos.  É na mente que nos tornamos arrogantes e egoístas e tomamos decisões que desonram o corpo (Romanos 1:24) e escurecem o raciocínio (1:21).  Viver em toda obra da carne significa fazer o que eu quero ­ não simplesmente satisfazer os meus desejos carnais mais baixos, mas atender os desejos do meu ego.  O orgulho e a paixão vivem na "carne" em perfeita harmonia.
Precisamos conhecer os nossos inimigos.  Os artigos que se seguem nos ajudarão a identificá-los melhor.  Não são as pessoas, mas os desejos perversos que procuram roubar o nosso coração de Deus.  Existe uma forma racional de enfrentarmos esses adversários ­ crucificá-los impiedosamente e sem olhar para trás (Gálatas 5:24).  Será penoso (1 Pedro 4:1), mas não tanto quanto a perda da eternidade.

fonte: http://www.estudosdabiblia.net/a11_1.htm

O Espírito Santo no Propósito de Deus




O Espírito Santo possui todas as características de uma pessoa e é um dos membros da divindade.  Mal se começa a ler a Bíblia e já se percebe que o Espírito está associado com Deus e é um ser poderoso.  O Pai, o Filho e o Espírito Santo desempenharam, cada um, um papel na criação (Gênesis 1:1-2; João 1:1-3; Colossenses 1:16).

Uma das funções principais do Espírito Santo no projeto divino de redenção é a obra de revelar e confirmar a mensagem de Deus ao homem.  Sem a obra do Espírito, não seria possível que o homem se salvasse.  O que o homem pode aprender com Deus na criação material é importante, mas é muito limitado; jamais alguém poderia saber a vontade de Deus apenas observando a criação (Romanos 1:18-20).  No restante deste artigo resumiremos a obra do Espírito Santo na revelação e na confirmação da Palavra de Deus ao homem.


O Espírito Santo e o Antigo Testamento

Pedro informa-nos que a mensagem dos profetas do Antigo Testamento não teve origem nos próprios homens.  Os homens, segundo ele, foram "movidos pelo Espírito Santo" para falar (2 Pedro 1:20-21).  Os profetas do Antigo Testamento foram movidos, orientados ou levados pelo Espírito Santo para dizerem exatamente o que Deus queria que dissessem e no exato momento que ele desejava.  Vários textos no Antigo Testamento declaram que o Espírito Santo participou ativamente na revelação da vontade de Deus naquela época. Davi disse:  "O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua" (2 Samuel 23:2).  Após retornarem do exílio babilônico, os levitas recontaram em oração as bênçãos que o Senhor tinha dado a Israel.  Eles diziam:  "E lhes concedeste o teu bom Espírito para os ensinar . . . e testemunhaste contra eles pelo teu Espírito por intermédio dos teus profetas" (Neemias 9:20, 30).  O profeta Zacarias disse que as pessoas "fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam" (Zacarias 7:12).  Observe que Deus enviou as suas palavras por seu Espírito por meio dos profetas.


O Espírito Santo e o Novo Testamento

Na noite anterior à crucificação, Jesus informou os apóstolos que retornaria ao céu e pediria ao Pai que lhes enviasse o Espírito Santo para servir-lhes de guia (João 14-16).  Ele disse:  "O Espírito da verdade . . . vos guiará a toda a verdade" (João 16:13).  Será que essa promessa foi cumprida?  Os escritores do Novo Testamento afirmaram reiteradas vezes que sim.

Paulo disse que o mistério "em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito".  Ele afirma ter escrito o que foi revelado e podia ser entendido pelos santos (Efésios 3:3-5).  Paulo disse que os dominadores deste século não entendiam a sabedoria de Deus.  Aliás, segundo ele, as coisas que Deus preparou para o homem nem mesmo tinham entrado no coração do homem.  Ele disse que "Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as cousas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2:10).  Paulo ressaltava que as palavras que ele proferia eram "ensinadas pelo Espírito" (1 Coríntios 2:13).

Esses versículos deixam claro que o Espírito Santo havia então revelado a vontade de Deus ao homem.  Outras referências mostram que a revelação está completa.  Leia 2 Timóteo 3:16-17; 2 Pedro 1:3-4; Judas 3.


O Espírito Santo Confirmou a Palavra

A palavra falada pelos apóstolos foi confirmada por sinais, maravilhas, milagres e dons espirituais.  Imediatamente antes de Jesus subir ao céu, ele deixou a grande comissão aos apóstolos (Marcos 16:15-16).  O evangelho tinha de ser pregado para que o homem pudesse crer, ser batizado e ser salvo.  Jesus disse:  "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem:  em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados" (Marcos 16:17-18).  O objetivo desses sinais é explicado no versículo 20.  À medida que os apóstolos saíam a pregar, o Senhor cooperou com eles, "confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam".

O Espírito Santo não apenas guiava os apóstolos para toda a verdade, mas confirmava a palavra que proferiam por meio dos milagres.  Esses milagres limitaram-se ao período apostólico.  Quando a revelação da vontade de Deus se completou e a palavra foi escrita (logo antes de 70 d.C.), a palavra já tinha sido confirmada (Hebreus 2:3-4).  Cada sinal ou milagre que é necessário já foi escrito (João 20:30-31).  A palavra está completa e não há necessidade de haver sinais miraculosos hoje.


Conclusão
O Espírito Santo esquadrinhou a mente de Deus e revelou por meio dos apóstolos e dos profetas tudo o que precisávamos saber sobre o maravilhoso projeto de redenção de Deus.  Por meio do que foi revelado, podemos ser salvos tanto agora quanto para sempre.


- por Ferrell Jenkins


fonte: http://www.estudosdabiblia.net/a13_22.htm

O Tribunal de Contas de Cristo e o Juízo Final





Diante de qual tribunal você comparecerá? Irá à presença de Jesus Cristo para ser julgado como um filho amado de Deus e receber seu galardão, ou será levado como um réu acorrentado para receber sua condenação?
Observe que o subtítulo oferece apenas duas possibilidades. De acordo com a Palavra de Deus não existem brechas legais e nem mesmo um advogado experiente poderá ajudá-lo a escapar do julgamento. É uma coisa ou outra, e ponto final! Todos os homens que já viveram, ou que ainda nascerão, terão de enfrentar esse dia de julgamento, do qual não se pode fugir e, não se engane — a justiça perfeita prevalecerá.
Alguns irmãos cristãos enganam-se ao ensinar que haverá um único julgamento geral, porque a Bíblia ensina de modo diverso. Outros estão confusos quanto às várias ressurreições e sua cronologia, de modo que em um esforço para ajudar a enfocar melhor o assunto e na esperança de esclarecer os mal-entendidos, oferecemos os comentários a seguir.
Para que qualquer posição seja válida, ela deve estar de acordo com as Escrituras e não contradizer aquilo que é afirmado claramente — porque a Palavra de Deus não se contradiz, se bem manejada [2 Timóteo 2:15]. Infelizmente, muitos se prendem a crenças que violam esse princípio. O julgamento único geral de toda a humanidade é um ponto em foco. A referência seguinte afirma de modo bem claro que os crentes da Época da Igreja — os cristãos — serão julgados no "Julgamento do Tribunal de Cristo":
"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal." [2 Coríntios 5:10].
A quem o apóstolo Paulo se refere aqui? Observe que ele diz "Porque todos devemos comparecer..." Isto quer dizer todos os homens em toda parte, sem distinção? Absolutamente não! As regras da gramática — especificamente o contexto — exigem que analisemos essa declaração antes de nos lançarmos a conclusões infundadas. A quem se refere o "nós" aqui? Bem, se nos detivermos para considerar o fato de que esse versículo, ou declaração, é parte da epístola de Paulo aos crentes em Corinto, a questão se responde por si mesma! "Nós" aqui inclui Paulo também e, juntamente com o "todos", restringe a declaração aos crentes — não a toda a humanidade, como seria o caso para um julgamento geral. Então, quando juntamos isso com o fato que "tribunal" é bema em grego, descobrimos uma direção inteiramente diferente para as coisas. O que é bema? A Concordância Bíblica de Strong diz o seguinte:
Bema, item 968.
Bema, da base do grego 939; um passo, isto é, por implicação uma plataforma, ou seja, o assento do juiz no tribunal, colocar [o pé] em, trono. (ênfase nossa).
A imagem mental que Paulo está projetando para nós diz respeito a um de seus métodos favoritos de ilustração — o esporte da época — os jogos greco-romanos. Bema era uma plataforma elevada na qual os juízes das diversas competições atléticas ficavam para premiar os vencedores. Isso se parece com o assento elevado de um juiz — alguém que detém o poder da vida e da morte em suas mãos? De forma alguma! É uma imagem de grande consolação para o cristão, pois combina o aspecto solene do julgamento com o de uma recompensa em potencial. Nosso grande, misericordioso e gracioso Deus prometeu que o serviço fiel não ficará sem recompensa! Observe o que Paulo tem a dizer em 1 Coríntios 3:11-15:
"Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo." [ênfase adicionada].
Jesus Cristo se assentará para julgar as obras dos membros do seu corpo, a Sua noiva, a igreja, provando-os pelo fogo. Observe a ordem descendente do seu valor relativo: "Ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha". O ouro, a prata e as pedras preciosas resistem ao calor, mas a madeira, o feno e a palha são queimados. O Senhor determina o grau de valor e o fogo revelará o resultado. Se as obras de um cristão forem inteiramente consumidas no processo e assim se revelarem inúteis, ele sofrerá a perda de não ser o "vencedor da corrida", porém sua salvação nunca estará em questão. Esse ponto foi definitivamente estabelecido na cruz do Calvário.
A igreja é uma entidade separada de Israel, a mulher infiel de Jeová do Antigo Testamento, e não devemos confundir a distinção entre elas. Os profetas do Antigo Testamento não viram a igreja, porque ela era um mistério divino — não revelado nas Escrituras até que Paulo teve o privilégio de receber essa revelação. Os profetas viram a igreja, como se fosse um vale entre o topo de duas montanhas, e viram apenas o reino milenar do Messias. Os santos do Antigo Testamento não têm parte na igreja porque viveram e morreram debaixo de uma aliança totalmente diferente — a Lei, e não a Graça. Portanto, outro julgamento será obviamente necessário para eles, sem mencionar aqueles que serão salvos durante o período da Tribulação após a igreja ser removida, e então os salvos durante o período do Milênio!
Neste ponto provavelmente será útil discutir as ressurreições associadas com o julgamento. Com base em Apocalipse 20:4-6, muitos (com exceção dos que insistem em um único julgamento geral) argumentarão que haverá apenas dois julgamentos — um antes do milênio e outro imediatamente após — o julgamento do "Grande Trono Branco" de Apocalipse 20:11.
"E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos." [Apocalipse 20:4-6; ênfase adicionada].
"E viveram" obviamente denota uma ressurreição, porque eles tinham sido "decapitados". Essa ressurreição, e não aquela do versículo 5, tem de ser a "primeira ressurreição", porque a ressurreição dos perdidos não é com certeza para aqueles "bem-aventurados e santos" [verso 6]. A estrutura da frase parece confusa, mas o bom senso a esclarece. De modo que essa "primeira" ressurreição é enfatizada como sendo distinta daquela na qual os perdidos serão ressurretos no fim do milênio. Mas a "primeira" ressurreição compreenderá apenas um único acontecimento? Insistimos que esse não pode ser o caso, porque houve uma ressurreição dos santos à época da morte de Cristo [Mateus 27:52]. Como, então, devemos encarar isso, uma vez que há somente duas? Obviamente isso abre um precedente para que os adeptos dessa posição argumentem contra o arrebatamento da igreja. Dizer que um evento é "anterior" não o exime necessariamente de conter diversas partes, porque "anterior" é um termo relativo. A Segunda Guerra Mundial precedeu a Guerra da Coréia e por isso dizemos que ela aconteceu "primeiro". Mas um exame mais detalhado mostrará que a Segunda Guerra Mundial consistiu de pelo menos duas guerras separadas — uma na Europa contra a Alemanha e outra no Pacífico contra o Japão — com a guerra na Europa terminando antes da guerra contra o Japão. O mesmo é verdade no que se refere às ressurreições. A "primeira" ressurreição já teve um de seus elementos completados, com mais por vir no futuro.
Observe que Paulo diz aos crentes em 1 Tessalonicenses 3:13 que o Senhor virá "com todos os seus santos". Isso significa que no arrebatamento, esses santos do Antigo Testamento ressuscitados com Cristo virão com ele para saudar a Igreja! Encontramos essa ressurreição em Mateus 27:
"E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." [Mateus 27:51-53].
Tecnicamente falando, Cristo foi ressuscitado primeiro — porque é "o primogênito dos mortos" [Colossenses 1:18], mas os santos do Antigo Testamento foram ressuscitados ao mesmo tempo. O tipo no Antigo Testamento para a ressurreição de Cristo era o molho movido [Levítico 23:10-12] e o uso desse símbolo definitivamente indica pluralidade.
"Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." [João 12:24].
O grão de trigo (Cristo) foi enterrado e ressurgiu como um molho de muitos grãos. A interferência é que essa ressurreição "despovoou" o Paraíso de seus habitantes. (O túmulo, a habitação dos mortos — o sheol em hebraico e o hades em grego — aparentemente consistia em dois compartimentos: O paraíso, o lugar para os eleitos de Deus — e o próprio hades, o lugar de tormento. Isso depreendemos do ensinamento do Senhor com relação ao "homem rico e Lázaro" em Lucas 16:19-31.
Então, em Efésios 4:8, o apóstolo Paulo cita o Salmo 68:18 e diz: "Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens."
A ilustração é a de um general conquistador liderando um desfile triunfal na sua cidade natal para exibir os "despojos de guerra" — o povo tomado cativo e seus bens. Isso fala do triunfo de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte — aquilo que torna o homem cativo — e assim ele tornou cativo o próprio cativeiro, libertando os redimidos de suas cadeias. Também precisamos observar que diz "...e deu dons aos homens." O general triunfante freqüentemente demonstrava sua generosidade lançando moedas à multidão que o venerava e até mesmo àqueles que eram seus cativos — assim permitindo-lhes compartilhar de sua riqueza. O Senhor não somente levou seus santos para o céu, mas os recompensou graciosamente também.
Assim, ao voltarmos ao texto em 1 Tessalonicenses, vemos que em alguns versículos adiante, no capítulo 4, Paulo explica o arrebatamento. O contexto dessas duas passagens define o que ele queria dizer com "virá com todos os seus santos" — ou seja, ele está falando dos crentes do Antigo Testamento. O arrebatamento, que envolve a ressurreição dos "mortos em Cristo", ocorrerá em seguida, com os santos mortos na Tribulação sendo ressuscitados posteriormente para completar a "primeira ressurreição". Os santos do Milênio representam um problema à parte para o qual não podemos oferecer uma resposta definitiva nas Escrituras. Parece que tanto (1) nenhum dos eleitos de Deus morrerá durante o milênio, ou (2) se isso ocorrer, a ressurreição deles terá de ser, necessariamente, a "fase final" da primeira ressurreição. A longevidade, usufruída pelo homem anteriormente ao dilúvio, será restaurada durante aquele período [Isaías 65:20], de modo que viver durante os mil anos não está fora de questão. (Teremos em breve outro artigo para tratar do Milênio em maiores detalhes).
Mas, voltando ao nosso assunto — Apocalipse 20:4 levanta uma questão interessante, de modo que vamos ver novamente o que diz ali e depois comentar:
"E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos."
Agora João os vê como tendo sido ressuscitados e reinando com Cristo durante o Milênio. Alguns de vocês provavelmente estarão dizendo: "Mas eu sempre pensei que a igreja reinaria com Cristo! O que significa isso?" Bem, "reinar" é de certo modo uma questão de semântica, porque devemos ter em mente que os doze apóstolos julgarão as doze tribos de Israel durante o Milênio [Mateus 19:28 e Lucas 22:30]. Eles atuarão como regentes — assim como aqueles mencionados no versículo acima — e esse é o sentido da palavra grega traduzida como "reinar".
Basileuo, item 936 na Concordância de Strong
Basileuo, do grego 935 (basileus); reger (literal ou figurativamente): rei, reinar (ênfase adicionada).
A igreja, porém, é exaltada a uma posição muito superior! Lembre-se de que fomos escolhidos "em" Cristo desde antes da fundação do mundo [Efésios 1:4]. Essa frase "em Cristo" repete-se constantemente no Novo Testamento e quando consideramos o fato de que a igreja é a noiva de Cristo e que o casamento faz com que "os dois se tornem uma só carne" [Mateus 19:5-6], o versículo abaixo adquire um significado muito maior:
"Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." [Apocalipse 3:21].
Somos co-herdeiros com Cristo, de acordo com o seguinte:
"E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados." [Romanos 8:17].
Ser co-herdeiro com Cristo obviamente coloca a Igreja muito acima daqueles que meramente governam e esse pensamento deve nos humilhar grandemente.
Agora que exploramos o julgamento de Cristo, e quanto ao julgamento dos santos do Antigo Testamento, do Período da Tribulação, e do Milênio? Em Mateus 25:32 vemos que quando Cristo separar as "ovelhas dos bodes" na Segunda Vinda, o contexto do capítulo indica que então haverá o julgamento. Fica claro em Apocalipse 20:4, referido anteriormente, que os santos martirizados no período da Tribulação serão ressuscitados nessa ocasião, e terão de ser julgados após terem recebido seus corpos glorificados [1 Coríntios 15:35-54, explicado em seguida] para reinar com Cristo durante o Milênio. Os santos que sobreviverem ao período da Tribulação entrarão no Reino em seus corpos terrenos — mas e quanto aos santos do Antigo Testamento? Foi-lhes prometido que compartilhariam do reino milenar do Messias, de modo que a lógica manda que recebam corpos glorificados e que sejam julgados em algum momento antes de herdarem o reino. Lembre-se das palavras de Jó: "Ainda em minha carne verei a Deus" [Jó 19:26], de modo que parece razoável concluir que os santos do Antigo Testamento receberão seus corpos glorificados e serão julgados na ocasião da sua ressurreição em Mateus 27:52, ou o serão por ocasião do julgamento das "ovelhas e bodes" antes do Milênio. Sinto-me inclinado a crer nesta última hipótese.
A respeito dos corpos glorificados, na referência anterior a 1 Coríntios, Paulo declara abertamente que "carne e sangue" não herdarão o reino de Deus [verso 50]. Em um contexto direto, ele está falando aos cristãos e, no versículo 51, lança-se imediatamente à revelação do segredo divino — "o mistério" — com relação ao arrebatamento da igreja. Em Filipenses 3:21, ele diz o seguinte acerca do que o Senhor fará por nós:
"O qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." [ênfase adicionada].
Daí se origina o termo "corpos glorificados". Enquanto estamos neste corpo vil — este corpo depravado, caído e pecaminoso — não podemos comparecer diante de Deus! A santidade de Deus não permitiria isso. Portanto, precisamos ser "transformados" em um momento, em um "piscar de olhos" [1 Coríntios 15:52] e receber um corpo perfeito, glorificado, exatamente igual ao que nosso Salvador tem agora. Embora a Bíblia não declare especificamente que isso será feito para ninguém além da igreja, parece razoável concluir que o restante dos santos de Deus terão de passar pelo mesmo processo antes que lhes seja permitido comparecer à sua presença.
Hebreus 9:27 diz: "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo."
Então, com esse ponto em mente — isto é, que os homens terão de morrer antes de serem julgados — e quanto aos homens, mulheres, meninos e meninas que sobreviverem à Tribulação? Todos serão salvos — 100% deles, porque os demais terão sido julgados e condenados ao inferno — e é possível que muitos, se não todos, vivam os mil anos completos porque a longevidade será restaurada. Entretanto, existem aqueles que insistem que o reino será espiritual e que humanos pecadores não entrarão nele. Para aqueles que têm essa visão, devo fazer a pergunta óbvia: de que grupo Satanás levantará o seu exército no final dos 1000 anos? Apocalipse 20:8 diz a respeito de Satanás, após ser ele libertado:
"E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha." [ênfase adicionada].
A palavra grega traduzida como "nações" é ethnos e refere-se à raça, ou etnia. Devemos observar que são nações — plural. Satanás convenceu uma inumerável companhia de anjos a segui-lo na rebelião antes da criação, mas dessa vez está claro que trata-se de uma rebelião humana.
Milhões de crianças sem dúvida nascerão durante esse período de mil anos e é certo que grandes números crerão em Cristo e o receberão como seu Salvador (mas milhões de outros, nascidos durante esse tempo, não farão isso e serão esses que seguirão o Diabo e serão finalmente devorados pelo fogo — Apocalipse 20:9). Quando os santos do Milênio morrerão e serão julgados? De acordo com Hebreus 9:27, a morte deve preceder o julgamento, de modo que essa é uma pergunta legítima. Mais uma vez, devemos "ler entre as linhas" para chegarmos a uma conclusão. Após a rebelião, Satanás será finalmente e para sempre lançado no lago de fogo "onde estão a besta e o falso profeta". Lembre-se que a besta e o falso profeta foram lançados no fogo antes do Milênio e agora a trindade maligna estará reunida pela primeira vez desde o período da Tribulação! O versículo 11 fala então do "Grande Trono Branco" onde Cristo se assentará para o julgamento. Prosseguindo com o versículo 12 lemos:
"E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." [Apocalipse 20:12-15, ênfase adicionada].
Minha opinião é que a aplicação precípua dessa passagem trata dos perdidos de todos os tempos, por causa da ênfase repetida na palavra "mortos". Essa interpretação constituiu a crença e o ensino de pastores conservadores por séculos, mas ficamos com o problema dos santos do Milênio! O que acontecerá com eles? Permita-me sugerir que outra trasladação instantânea — outro arrebatamento — poderá ocorrer nesse ponto com os justos eleitos recebendo seus corpos glorificados e sendo julgados ao mesmo tempo? Observe a construção do versículo 15 — como deixa aberta a possibilidade de que o nome de alguém seja encontrado no Livro da Vida.
"E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo."
O "aquele" é importante, porque caso 100% dos que serão julgados fossem perdidos, parece provável que o Espírito Santo teria afirmado "Uma vez que ninguém foi achado..."
Antes que esqueçamos, observe que o versículo 12 menciona dois tipos de livros: "... os livros foram abertos e outro livro foi aberto..." O outro livro é identificado como sendo o livro da vida que contém os nomes de todos os eleitos por Deus para a vida eterna. Mas o que são os livros, plural? Aparentemente eles contêm o registro completo da vida de cada indivíduo, de acordo com a seguinte declaração do Senhor:
"Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo." [Mateus 12:36].
Isso se refere necessariamente aos perdidos, porque a palavra do Senhor em João 5:24 diz:
"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."
Deus julgará as obras de cada crente e concederá galardões se eles forem merecidos, mas a vida do incrédulo será julgada e a punição aplicada de imediato. Em que grupo você estará?


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Que Deus o abençoe.
Autor: Pr. Ron Riffe
Tradução: Lucia Cortez
Data da publicação: 23/2/2003
Revisão: V. D. M. — Campo Grande / MS e http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/p195.asp
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