Compreendendo o dom de línguas


Wilma Rejane
O fenômeno ocorrido no dia de Pentecostes, em 33 d.C. quando os apóstolos e outros discípulos receberam do derramamento do Espírito Santo, com a evidência do falar em línguas, ainda hoje é motivo de controvérsias. A Igreja cresceu, se expandiu para fora dos limites de Jerusalém e atualmente o dom de Línguas é também propagado por outras religiões, gerando assim dúvidas, mitos, exaltação e rejeição por parte dos crentes.

O tema é polêmico e o objetivo desse artigo é tão somente, através do confronto com as Escrituras, reafirmar a importância desse dom, por muitos, considerado inútil. Para outros, considerado extinto.

Na profecia de Isaías.
Apóstolo Paulo, em exortação a Igreja de Coríntios cita uma passagem do Antigo Testamento, livro de Isaías 28: 11,12. “Assim por lábios estranhos, e por outra língua, falará a este povo. Ao qual disse: Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” .

Deus proveria o dom de línguas para igreja, como  refrigério, descanso.  Em grego temos “menuchah”, se referindo a um lugar de descanso, sossego, refrigério, consolo, paz, silêncio e condição de repouso. É derivado de “nuach” um verbo que significa: descansar, acalmar, tranquilizar, consolar. Partindo desse radical, podemos fazer uma releitura do Salmo 23:2 da seguinte forma: “guia-me mansamente as águas de menuchah (as águas tranquilas)”.

Sabemos que em Cristo Jesus, recebemos a paz que excede todo entendimento. Somente Ele é capaz de promover a satisfação plena do homem, em todos os aspectos. Essa paz se tornou possível porque Cristo veio como homem, nasceu morreu e ressuscitou, ascendeu ao céu e prometeu  nos enviar um consolador, O Espírito Santo de Deus.


É sobre esse tempo que fala Isaías, o dom de línguas é o único que não está evidente no Antigo Testamento, ele é profetizado e está como sinal para a igreja testemunha de Cristo. E a igreja de Cristo é esta assentada sobre a pedra da revelação, dos dons, da operação do Espírito Santo, cuja obra produz o novo nascimento. Um nascimento espiritual que dá acesso a salvação. 

É fato, que a partir do novo nascimento, dispostos a enfrentarmos novidade de vida, nos lançamos em uma caminhada de renúncia, enquanto vida tivermos. Enfrentamos toda espécie de lutas, internas e externas. Muitos, são os que esfriam na fé, perdem o ânimo, caem, desistem, e sentindo-se fracassados, perdem a alegria da salvação. Isto é constatado no livro de Apocalipse. Quando Jesus se dirige as sete Igrejas, cada uma atravessava problemas no que tange a caminhada de fé:
  • Igreja de Éfeso: “lembra-te de onde caíste, e arrepende-te e praticas as primeiras obras” - o amor não era mais fervoroso. Ap 2: 1-7
  • Igreja de Pérgamo “Seguem a doutrina de Balaão- tolerava  heresias. Ap 2:12-17
  • Tiatira: tolerava o culto idólatra e a imoralidade Ap 2:18-29
  • Sardis: era uma igreja morta Ap 3:1-6
  • Igreja de Laodiceia: “Não és frio nem quente: quem dera fosses frio ou quente”, eram indiferentes. Ap 3:14-22.

Esmorecer na caminhada cristã é, portanto, uma realidade. O dom de línguas surge como um revestimento especial, dado por Deus, para fortalecer o crente. É uma habilidade sobrenatural que permite ao Espírito Santo se expressar diretamente através de nós. Ele fala o que precisa ser falado e que nós de maneira natural, não falaríamos. Isto produz paz, descanso e mais que isso: produz edificação pessoal e profecia para igreja.
Paulo  se dirigindo a igreja de Coríntios diz: 

“Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vocês. Todavia, na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em língua. ”1 Coríntios 14:18-19
  • Paulo confessa ter recebido o dom de línguas
  • Ele orava em línguas em secreto, em devoção pessoal a Deus
  • Na igreja Paulo preferia falar de modo compreensível, em língua que todos falavam.
Definições para Dom de Línguas:

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém, judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo.Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: "Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? “ Atos 2:1-8
Tradução para línguas em Atos 2:
1-  "línguas" = glossa normalmente se refere tanto a língua como um órgão físico como a uma linguagem humana.
2- dialekton- dialektos- línguas estrangeiras, idiomas.
As línguas que foram faladas eram idiomas, o sobrenatural consistia no fato de que eles falavam por mérito Divino, Deus os capacitou, distribuiu o dom de idiomas como maravilha. Os estrangeiros: medos, persas, elamitas, mesopotâmicos, etc.se admiraram de que homens indoutos, não versados em escolas de idiomas, não poliglotas, pudessem falar perfeitamente cada idioma.
A expectativa do Antigo Testamento, da promessa de Cristo sobre o derramar do Espírito Santo tem seu cumprimento em Atos 2. As línguas foram um sinal da presença do Espírito Santo, Jesus profetizou sobre isso em Mateus 16:7: “ E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas.”
Línguas Como Jargão:
Uma "onda" de erros tem se estabelecido nas igrejas pentecostais, neopentecostais e católicas romanas carismáticas, onde, falar em línguas, é uma repetição de jargões. Chega-se ao absurdo de ensinar a falar línguas, algo totalmente anti bíblico. Há uma confusão generalizada onde todos falam ao mesmo tempo, sons repetitivos que não se traduzem, não têm significado. Esse não é um comportamento  de acordo com as recomendações Bíblicas.
O dom de línguas, conforme vimos, conduz a expressão sobrenatural de se falar um idioma. Uma língua que o crente jamais falaria por seus próprios méritos.
Línguas Como edificação:
“O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo” I Cor 14:4
A palavra edificação é oikodomeo que se traduz por se “construir uma casa, tijolo a tijolo”. É como se ao falar em língua, estivéssemos erguendo um edifício, tijolo a tijolo. Construindo uma fortaleza para nossa vida cristã. Deus, além de nos conceder o menuchah (refrigério), concede conhecimento: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens senão a Deus; porque ninguém o entende e em espírito fala em mistérios” I Cor 14:2.
O propósito das línguas na igreja
Primeiro de tudo, vale dizer que Deus ouve toda oração que é feita com fé: pequena, grande, silenciosa... Ele escuta até mesmo pensamentos. Deus, não faz acepção de pessoas. Porém, existe um revestimento especial advindo da oração em línguas. Ela produz crescimento pessoal, espiritual, refrigério diário: “Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” Is 28:13.  Além de enfatizar o refrigério, profetizado por Isaías, as línguas surgem com outras funções:
  • Línguas é cumprimento da profecia de Isaías (Is 28:11)
  • É cumprimento da profecia de Jesus Cristo (Marcos 16:17)
  • É prova da ressurreição e glorificação de Jesus ( João 16:7 e Atos 2: 26)
  • É uma evidência da presença do Espírito Santo ( Atos 2,4)
  • É um dom espiritual para autoedificação ( I Coríntios 14:4 e Judas 20)
  • É dom para edificação da igreja, quando houver interpretação ( I Cor 14:5)
  • É um dom especial para comunicação com Deus e adoração pessoal ( I Coríntios 14:15)
  • É um meio pelo qual o Espírito Santo opera em nós ( I Coríntios 14: 14)
  • É meio de regozijo ( Efésios 5:18,19 – I Coríntios 14:15)
  • É confirmação da Palavra de Deus pregada ( Marcos 16: 17,20 e I Coríntios 14:22)
Oração em Espírito:
  • Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? 1 Coríntios 14:14-16 
  • Mas vós,amados, edificando-vos a vós mesmos, sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo. Judas 20.
  • Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Efésios 6:18
Qual a diferença entre orar com o espírito e orar com o entendimento? Está claro que Paulo fala de dois tipos de oração, ou dois estados em que se ora. Compreendo que com o entendimento seja com o intelecto, de modo natural, em nossa própria língua. Orando no Espírito é a oração em línguas, em idioma dado por Deus no momento em que se ora. Se a oração em Espírito produz profecia porque fala de mistérios que somente o Espírito de Deus conhece, quem ora em línguas é profeta e o espírito do profeta está sujeito a ele ( I Coríntios 14:32). Assim, o que ora pode exercer o autocontrole, pode intercalar oração com entendimento e oração em Espírito. Pode escolher não falar em línguas em público para não causar confusão na igreja.

Quer dizer que quem ora com o intelecto, não possui o Espírito Santo?

De modo algum! O cristão que ora sem o dom de línguas, recebe o auxílio do Espírito Santo na oração. O Espírito o instruí sobre o que deve pedir, o que deve falar:
  • Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.  Romanos 8:26
Medo de Falar em Línguas
Algumas denominações proíbem seus membros de buscar esse dom, por acreditarem ser obra do diabo, por julgarem desnecessário, uma coisa do passado, histórica, não mais disponível. Existem muitos mitos, envolvendo o tema. Contudo, escolho acreditar na Bíblia. Este dom é descrito tanto no Antigo como no Novo Testamento e tem sua utilidade, ainda que muitos não compreendam ou rejeitem.

Falar em línguas, não é entrar em êxtase, transe, mudar de aparência, tonalidade de voz, se isto acontecer é porque há algo errado. Também não é balbuciar palavras repetidas. É tão somente comunicar-se com Deus sob intercessão direta do Espírito Santo. É a boca falando mistérios de Deus que somente o Espírito Santo poderia revelar: “porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus senão o Espírito de Deus” I Cor 2:11.
Línguas e presença do Espírito Santo:
“Recebeste já o Espírito Santo quando crestes?” At. 19:2.
Falar em línguas não significa ser mais espiritual, ter mais fé, ser especial. Nada disso. Muitos cristãos sinceros e admiráveis podem não possuir este dom. “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” I Cor 12: 4,6. Alguém pode não falar em línguas e possuir outros dons  úteis para o ministério. E alguém pode não falar em línguas e ser selado com o Espírito Santo. O fato de alguém arrepender-se dos pecados e entregar sua vida a Cristo já é obra do Espirito de Deus.  Este é quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo ( João 16: 8-10). Não há porque afirmar que somente através do dom de línguas há comprovação da presença do Espírito Santo.
Minha experiência pessoal
Encontrei muitas dificuldades para compreender o emprego correto do dom de línguas. Comecei minha vida cristã em uma pequena congregação Batista tradicional, recebi o revestimento do dom de línguas em casa, enquanto orava. Tinha acabado de ler o livro de Atos e estava transbordando de alegria pela formosura do Senhor, pelo chamado missionário de Paulo e as conversões. Radiante, contei para o meu pastor a boa notícia e voltei por demais decepcionada para casa: “Wilma, qualquer pessoa pode falar em línguas, isto não quer dizer nada, é como um teatro” e daí ele começou a pronunciar palavras repetidas, enquanto eu reprimia meu choro. Não dava mais para ficar naquela igreja, mesmo porque o assunto se espalhou e as irmãs me viam como um escândalo.

Fui para uma igreja pentecostal e tive decepções ainda maiores: A desordem nos cultos me incomodava. O pastor ordenava: “falem em línguas, profetizem!” Também não era ali o meu lugar. Sofri e no secreto falava com Deus: “Senhor sei que tudo que vem de Ti é precioso, se este dom for para o meu bem deixa-me com ele, se não retira-o”. O Senhor não retirou, e testifico quão maravilhoso é dialogar com Deus dessa forma.

Hoje congrego em uma igreja Batista tradicional e em secreto adoro o Senhor no Espírito. Quando me faltam palavras no idioma português para dialogar com Deus, o Espírito Santo provêm o sobrenatural, elevado, acima, com canções e também interpretações do que oro. O Senhor me concedeu a maravilha de falar outros idiomas e é dessa forma que Ele refrigera minha alma, fortalece minha fé.
Na igreja, sigo a orientação Bíblica de falar em idioma compreensível. O dom não é para exibição pública,não é para exaltação humana, mas para glorificar a Deus.
" Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. ”1 Coríntios 14:28
O mérito não é do homem, é de Deus. A glória é Dele, o dom vem Dele e não há porque vangloriar-se, pois sem Deus, nada aconteceria de sobrenatural. E como disse Paulo, sem o amor, as línguas não edificam, o que fala é como um metal zunindo.
Língua dos anjos e dos homens
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse o amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” I Cor 13:1.

Aqui temos mais uma referência às línguas: dos homens e dos anjos. Interpreto, e de acordo com o contexto deste artigo, que a língua dos anjos não é algo incompreensível, mas  sobrenatural por falar mistérios de Deus. 

Todas as vezes que anjos apareceram em relatos Bíblicos, eles se fizeram entender, falando em idioma totalmente compreensível. Contudo, falando de coisas que nenhum homem estava capacitado a conhecer de modo natural.

Exemplo:

Um anjo fala com Daniel: “E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que vou te dizer, e levanta-te sobre os teus pés, porque a ti sou enviado. E, falando ele comigo esta palavra, levantei-me tremendo. Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.” Daniel 10:11-12

Assim, o que Paulo enfatiza para a igreja de Coríntios, em língua dos homens e dos anjos é: falando eu de modo natural (homem) ou sobrenatural (como os anjos), sem o amor, seria como o metal que soa cujo som nada transmite de inteligível.

Paulo repreendeu a igreja de Coríntios porque eles estavam supervalorizando o dom de línguas, mas esquecendo do fruto supremo do Espírito Santo que é o amor. Havia desordem, traições, contendas em uma prova real de que os dons podem não produzir santidade se houver em nós a servidão ao pecado. Jesus faz uma alerta sobre isso em Mateus 7:22,23:

 “Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!”
Edificados Por Deus, Capacitados a Amar.
Dizer que orar em línguas é desnecessário porque não edifica a Igreja, é interpretar erradamente as Escrituras. “O que ora edifica a si mesmo”. Irmãos que crescem no conhecimento, ajudam outros irmãos. Que bom seria se todos pudessem orar em línguas! Se todos compreendessem o que Deus tem a nos oferecer através desse maravilhoso dom! Um “tijolo” firmado corretamente sustenta outros, não? Mas um “tijolo” fora do prumo, põe em risco toda uma estrutura.

Dizer que esse dom não existe é negar a Escritura.

Em I Coríntios 1: 5-7 está escrito:

“Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento (Como o testemunho de Cristo foi mesmo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo”

Dom= charisma= gratificação, de graça, livre, milagrosamente.

Não há alegria maior para um cristão nessa terra  do que a de ser instrumento de Deus para abençoar vidas.  Recebemos de graça o que há de mais precioso no mundo, que são os dons de um Deus amoroso, bondoso e justo. Dons para que pudéssemos transmitir ao mundo aquilo que o mundo não pode transmitir aos homens.

Concluindo...
Fico ouvindo os debates à cerca do assunto, pessoas zombando de quem acredita ou fala em línguas, e oro a Deus para que tenha misericórdia de quem ainda não compreende a operação do Espírito Santo na igreja. Oro por mim, inclusive, para que não venha a esfriar na fé, no amor, a ponto de viver mais teologia e menos Jesus. Oro para que eu não queira, jamais, estar cega, surda, muda em relação ao Reino de Deus, pois,  nada sou nesse  fugaz reino dos homens. É em Deus que me sinto feliz, é na certeza de que Ele É e faz o que sua Palavra afirma.

Deus está vivo, Jesus Cristo ressuscitou, o Espírito Santo foi dado para a igreja, no dia de Pentecostes, e não se ausentou ainda de nós. Ele opera hoje, da mesma forma que operou no passado.

Que Deus nos abençoe.

fonte:http://www.atendanarocha.com/2015/02/compreendendo-o-dom-de-linguas.html#more

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