Por Wilma Rejane
"Guia-me mansamente as àguas tranquilas" Sl 23:2
O fenômeno ocorrido no dia de
Pentecostes, em 33 d.C.quando os apóstolos e outros discípulos receberam
do derramamento do Espírito Santo, com a evidência do falar em línguas,
ainda hoje é motivo de controvérsias. A Igreja cresceu se expandiu para
fora dos limites de Jerusalém e atualmente o dom de Línguas é também
propagado por outras religiões, gerando assim dúvidas, mitos, exaltação e
rejeição por parte dos crentes.
O objetivo desse artigo é tão somente,
através do confronto com as Escrituras, reafirmar a importância desse
dom, por muitos, considerado inútil. O apóstolo Paulo, em exortação a
Igreja de Coríntios diz: “Está escrito na lei: por gente doutras línguas
e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim não me ouvirão,
diz o Senhor”. A passagem do Antigo Testamento a que Paulo se refere,
está no livro do profeta Isaías: “Assim por lábios estranhos, e por
outra língua, falará a este povo. Ao qual disse: Este é o descanso, daí
descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” Is
28:11, 12.
Observem a continuação dos versos de
Isaías: “Assim, pois, a Palavra do Senhor lhes será mandamento sobre
mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre
regra, um pouco aqui, um pouco ali, para que vão, e caíam para trás, e
se quebrantem e se enlacem, e sejam presos” Is 28: 13.
Deus proveu o dom de línguas, como um
refrigério para a Igreja. Descanso, em grego é “menuchah”, se referindo a
um lugar de descanso, sossego, refrigério, consolo, paz, silêncio e
condição de repouso. É derivado de “nuach” um verbo que significa:
descansar, acalmar, tranqüilizar, consolar. Partindo desse radical,
podemos fazer uma releitura do Salmo 23: 2 da seguinte forma: “guia-me
mansamente as águas de menuchah (as águas tranqüilas)”.
Foi
espantoso para mim, interpretar Is 28:13. Ele diz que existe uma
conseqüência para a negação do refrigério produzido pelo dom de línguas:
”viverão mandamentos sobre mandamentos, regras sobre regras e por fim,
tornar-se-ão escravos do que acreditam ser o descanso”. Sabemos que em
Cristo Jesus, recebemos a paz que excede todo entendimento. Somente Ele é
capaz de promover a satisfação plena do homem , em todos os seus
aspectos. No sacrifício da cruz, Ele proveu, remiu e perdoou aos
contritos e arrependidos.
É fato, que a partir do novo
nascimento, dispostos a enfrentarmos novidade de vida, nos lançamos em
uma caminhada de renúncia. Não de segundos, mas enquanto vida tivermos.
Nesse período, enfrentamos toda espécie de lutas. São alegrias,
tristezas, facilidades e dificuldades. Muitos, são os que esfriam na fé,
perdem o ânimo, caem, desistem, e sentindo-se fracassados, perdem a
alegria da salvação. Isto é constatado no livro de Apocalipse. Quando
Jesus se dirige as sete Igrejas. Podemos considerar uma lição viva,
real, para as muitas denominações hoje:
- Igreja de Éfeso: “lembra-te de onde caíste, e arrepende-te e praticas as primeiras obras” Ap 2:5.
- Igreja de Pérgamos “Seguem a doutrina de Balãao” Ap 2:14
- Igreja de Laodicéia: “Não és frio nem quente: quem dera fosses frio ou quente” Ap 3:15
Esmorecer na caminhada cristã é,
portanto, uma realidade. O dom de línguas surge como um revestimento
especial, dado por Deus, para fortalecer o crente. É uma habilidade
sobrenatural que permite ao Espírito Santo se expressar diretamente
através de nós. Ele fala o que precisa ser falado e que nós de maneira
natural, não falaríamos. Isto produz paz, descanso.
Definições para “Dom de Línguas”:
1- A palavra grega traduzida como "línguas", nas Escrituras glossa
normalmente se refere tanto a língua como um orgão físico ou a uma
linguagem humana. A palavra pode ser usada em referência ao discurso de
êxtase, mas essa utilização é completamente estranha ao Novo testamento.
2-Línguas em Atos 2 se refere às linguagens humanas (ou seja, conhecidas por aqueles que ouviram). As outras línguas "heterais glossais" do versículo 4, são as línguas dos partos, medos elamitas, mesopotâmicos e etc.
3- Atos 2:8 “como, pois, os ouvimos, cada um na sua própria língua em que somos nascidos”? Nesse versículo o termo grego é "dialektos", de onde vem a palavra em inglês "dialeto", que só pode significar linguagem.
Línguas Como Jargão:
Uma "onda" de erros tem se
estabelecido nas igrejas (pentecostais, neopentecostais e católicas
Romanas Carismáticas), de que o falar em línguas, é uma repetição de
jargões. Chega-se ao absurdo de ensinar a falar línguas, algo totalmente
antibiblíco. O dom de línguas, conforme vimos, conduz a expressão
sobrenatural de se falar um idioma. Uma língua que o crente jamais
falaria por seus próprios méritos.
Línguas Como edificação:
“O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo” I Cor 14:4
A palavra edificação é oikodomeo
que se traduz por se “construir uma casa, tijolo a tijolo”. É como se
ao falar em língua, estivéssemos erguendo um edifício, tijolo a tijolo.
Construindo uma fortaleza para nossa vida cristã. Deus, além de nos
conceder o menuchah (refrigério), concede conhecimento: “Porque o que
fala em língua desconhecida não fala aos homens senão a Deus; porque
ninguém o entende e em espírito fala em mistérios” I Cor 14:2.
Oração em Línguas X oração em Idioma Natural.
Primeiro de tudo, vale dizer que Deus
ouve toda oração que é feita com fé. Pequena, grande, silenciosa... Ele
escuta até mesmo pensamentos, realizando os desejos do intimo do
coração. Deus, não faz acepção de pessoas. Porém, existe um revestimento
especial advindo da oração em línguas. Ela produz crescimento pessoal,
espiritual, refrigério diário: “Este é o descanso, daí descanso ao
cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” Is 28:13.
O Medo de Falar em Línguas
Algumas denominações proíbem seus
membros de buscar este dom, por acreditarem ser obra do diabo, por
julgarem desnecessário, uma coisa do passado, histórica não mais
disponível. Existem muitos mitos, envolvendo o tema. Contudo, escolho
acreditar na Bíblia. Este dom é descrito tanto no Antigo como no Novo
Testamento e tem sua utilidade, ainda que muitos não compreendam ou
rejeitem.
Falar em línguas, não é entrar em
êxtase, transe, mudar de aparência, tonalidade de voz, se isto acontecer
é porque há algo errado. Também não é balbuciar palavras repetidas. É
tão somente comunicar-se com Deus sob intercessão direta do Espírito
Santo. É a boca falando o que está no mais profundo do ser, um lugar que
somente Deus pode chegar: “porque qual dos homens sabe as coisas do
homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém
sabe as coisas de Deus senão o Espírito de Deus” I Cor 2:11.
Cumprimento da Profecia
Marcos 16: 17: “E estes sinais seguirão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas”.
Um só Batismo:
“Recebeste já o Espírito Santo quando
crestes?” At. 19:2. Falar em línguas não significa ser mais espiritual,
ter mais fé, ser especial. Nada disso. Muitos cristãos sinceros e
admiráveis podem não possuir este dom. “Há diversidade de dons, mas o
Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o
mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo
em todos” I Cor 12: 4,6. Alguém pode não falar em línguas e possuir
outros dons, úteis para o ministério.
Línguas na adoração
Encontrei muitas dificuldades para
compreender o emprego correto do dom de línguas. Comecei minha vida
cristã em uma pequena congregação Batista tradicional, recebi o
revestimento do dom de línguas em casa, enquanto orava. Tinha acabado de
ler o livro de Atos e estava transbordando de alegria pela formosura do
Senhor, pelo chamado missionário de Paulo e as conversões. Radiante,
contei para o meu pastor a boa notícia e voltei por demais decepcionada
para casa: “Wilma, qualquer pessoa pode falar em línguas, isto não quer
dizer nada, é como um teatro” e daí ele começou a pronunciar palavras
repetidas, enquanto eu reprimia meu choro. Não quis mais ficar naquela
igreja, mesmo porque o assunto se espalhou e as irmãs me viam como um
escândalo. Mantenho amizade com todos eles, até hoje, mesmo morando
distante.
Fui para uma igreja pentecostal e tive
decepções ainda maiores: A desordem nos cultos me incomodava. O pastor
ordenava “Falem em línguas, profetizem”! Também não era ali o meu lugar.
Sofri e no secreto falava com Deus: “Senhor sei que tudo que vem de Ti é
precioso, se este dom for para o meu bem deixa-me com ele, se não
retira-o”. O Senhor não retirou, e testifico quão maravilhoso é dialogar
com Deus dessa forma.
Hoje congrego em uma Igreja Batista
Tradicional e em secreto adoro o Senhor cantando em línguas, bendizendo o
Seu Santo Nome. Quando me faltam palavras no idioma português para
dialogar com Deus, o Espírito Santo provêm o sobrenatural, elevado,
acima.
Nada é Superior ao Amor
“Ainda que eu falasse as línguas dos
homens e dos anjos, e não tivesse o amor, seria como o metal que soa ou
como o sino que tine” I Cor 13:1.
O exercício dos dons, concedidos por
Deus, não se igualam ao supremo dom de amar. Este é simples, como a
vinda do Messias, nascido na pequenina Belém, acolhido em uma
manjedoura. O amor, não se exalta, ensoberbece, não menospreza, humilha,
apenas ama, sem pedir nada em troca. É algo difícil de realizarmos.
Sozinhos, sim. Mas em Cristo, temos a capacitação. Mesmo falhando, por
sermos limitados, mas quem ama a Deus se esforça por revelar Seu amor
aos homens.
Edificados Por Deus, Capacitados a Amar.
Dizer que orar em línguas é
desnecessário porque não edifica a Igreja, é interpretar erradamente as
Escrituras. “O que ora edifica a si mesmo”. Irmãos que crescem no
conhecimento, ajudam outros irmãos. Que bom seria se todos pudessem orar
em línguas! Se todos compreendessem o que Deus tem a nos oferecer
através desse maravilhoso dom! Um “tijolo” firmado corretamente sustenta
outros, não? Mas um “tijolo” fora do prumo, põe em risco todo o muro.
Espero em Cristo Jesus, poder ter
contribuído para um maior entendimento do exercício do dom de línguas. E
que o Espírito Santo conceda-nos discernimento para cumprir a vontade
de Deus para a Igreja.
fonte:http://www.atendanarocha.com/2010/09/o-refrigerio-do-falar-em-linguas.html
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